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Ação da Defensoria garante implante coclear para criança de 2 anos

2 de junho de 2016

audicao

A Defensoria Pública do Estado do Ceará, Núcleo de Defesa da Saúde da Defensoria Pública (Nudesa), conseguiu a determinação judicial para realizar uma cirurgia de implante coclear em uma criança de 2 anos, diagnosticada com perda auditiva bilateral. A cirurgia é realizada em duas etapas, a primeira foi realizada no dia 31 de março de 2016 e a segunda etapa está prevista para outubro deste ano. A cirurgia é indicada para pacientes com danos auditivos mais severos.

Com apenas 2 anos, L. A. foi diagnosticado com perda auditiva bilateral, o que significa perda total da audição nos dois ouvidos. De acordo com o pai, a suspeita se iniciou após algum tempo do seu nascimento. “Nós somos pais de primeira viagem e, mesmo com muita dificuldade de aceitar e perceber, víamos que havia algo de diferente no nosso filho. A forma de se expressar, os barulhinhos que geralmente criança faz, os reflexos, tudo isso até então era bem diferente das crianças da mesma idade dele”, explica Emanuel Carlos da Costa. No entanto, até chegar no diagnóstico, a família teve que passar por diversos obstáculos.

Foram diversos diagnósticos até se chegar ao certo. Vários médicos concluíram que a “possível” surdez era causada por um nervo atrofiado, cera no ouvido e, até mesmo, crescimento excessivo de cabelo no canal auditivo. O diagnóstico se deu no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e foram notificados que seria necessária a cirurgia para colocar o implante coclear. A supervisora do Nudesa, Silvana Feitoza explica que a procura por cirurgia para implante coclear é muito frequente no Núcleo. “São mais ou menos 6 cirurgias por mês da mesma natureza, a ser demandadas pelo Núcleo. As famílias que nos procuram para realizar este tipo de cirurgia normalmente vêm muito desesperançosas, justamente por causa da situação, e chegam à Defensoria depois de muito tempo tentando solucionar seus problemas”.

“Após sabermos qual era o real problema, fomos atrás de saber quanto custava a cirurgia, o que foi um choque, pois ela custa cerca de 90 mil reais. Soubemos também que essa cirurgia poderia ser feita lá no HGF, mas que não estava sendo realizado por falta de recurso. Ai nos desesperamos”, explica o pai, que é profissional autônomo e não tem condições de custear o tratamento.

Emanuel soube, conversando com um amigo, que na Defensoria Pública esse procedimento poderia ser solicitado. “Foi mais ou menos um ano e seis meses até termos o conhecimento que resolveríamos mais rapidamente nosso problema por meio da Defensoria. Depois de dar a entrada, recebemos a primeira sentença: o juíz deu um prazo de 10 dias para o HGF realizar a cirurgia, mas acabou demorando um pouco mais que o previsto. A primeira etapa foi realizada e estamos aguardando a segunda. O que conseguimos, é uma grande vitória”, disse.

A defensora pública explica que para dar entrada na ação desta natureza é necessário um laudo médico, dizendo qual a necessidade da cirurgia, quais as consequências caso ela não seja realizada, para o que serve e sua urgência. “O que acontece é que estas pessoas entram nas filas de cirurgia e, normalmente, não tem previsão alguma para realizá-la. Aqui na Defensoria Pública nós recebemos esse laudo, conversamos com a Secretaria de Saúde em uma interlocução possível de solução. Ao fazer a ação judicial, damos entrada no pedido justamente para acelerar o processo e diminuir a angústia dos pais”, conclui.

Serviço – O Núcleo de Saúde atende de segunda a sexta-feira, com senhas distribuídas a partir das 7h. O endereço do Núcleo Central de Atendimento é Rua Nelson Studart, sn, bairro Luciano Cavalcante. Para mais informações: ligue 129