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Parceria vai incentivar capacitação de jovens acolhidos em abrigos de Fortaleza

29 de agosto de 2018

CIEE

O Núcleo de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Nadij) da Defensoria Pública do Estado do Ceará, em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), iniciará oficinas de capacitação profissional e o cadastro de adolescentes acolhidos em abrigos em Fortaleza. O objetivo é dar novas perspectivas de autonomia a esse público, através de encaminhamento para o mercado de trabalho.

Atualmente, cerca de 150 jovens, entre 14 e 22 anos de idade, estão abrigadas em instituições de acolhimento por conta de  situações de vulnerabilidade social. Através da parceria, o CIEE vai promover oficinas de capacitação para esses jovens e encaminhá-los para o banco de oportunidades da entidade, considerada referência nacional no encaminhamento para vagas de estágio.

Segundo a defensora pública titular do Nadij, Ana Cristina Barreto, a ideia nasceu a partir de visitas técnicas feitas às instituições de acolhimento. “Nos deparamos com uma quantidade significativa de adolescentes sem perspectivas de adoção e sem possibilidade de retorno familiar. Eles estão lá devido à condição de vida vulnerável. Constatado isso, pensamos então que devíamos proporcionar a conquista de autonomia por meio da capacitação profissional”. A defensora acredita que, após a implementação dos primeiros cursos, o projeto deve se desdobrar em novas ações. “O treinamento e capacitação dos jovens é a primeira de várias vertentes de inclusão que iremos trabalhar. Além de mercado de trabalho, teremos também saúde, esporte, cultura, lazer e educação”, conta a defensora Ana Cristina.

A parceria começou a ser articulada e está inserida dentro do projeto Defensoria Amiga dos Abrigos. O primeiro curso está programado para acontecer no dia 21 de setembro, quando serão repassadas informações sobre a profissionalização, mercado, possibilidades de atuação e programação das oficinas. Para a maioria dos jovens, este será o primeiro contato com o mundo do trabalho. Segundo a assistente social Rozilene Souza, que integra o setor psicossocial da Defensoria Pública, a ausência de oportunidades para estes jovens influencia diretamente na questão da autoestima. “São adolescentes que sofreram violações de direitos e precisamos recuperar isso. Trata-se de empoderá-los, para que exerçam plenamente a cidadania e a visão crítica”, defende.

ACP para a criação de repúblicas – Desde 2016 tramita na 12º Vara da Fazenda Pública, uma ação civil pública interposta pelo Núcleo de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Nadij) para a criação de espaços – chamados de repúblicas – que recebam os jovens que completam 18 anos em abrigos institucionais e não possuem vínculos familiares e tampouco conseguiram passar por processo adotivo. O julgamento desta ACP, bem como a capacitação profissional dos jovens para saírem com mais autonomia dos acolhimentos institucionais, são projetos complementares para dar mais perspectivas de realizações no futuro para estes jovens.