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Quando a violência começa em casa: mulheres em situação de rua recebem atendimento da Defensoria em ação do Pop Rua Jud

Quando a violência começa em casa: mulheres em situação de rua recebem atendimento da Defensoria em ação do Pop Rua Jud

Publicado em
TEXTO: CAMYLLA EVELLYN
FOTO: MILLIN ALBUQUERQUE

A assistida da Defensoria Pública do Estado do Ceará, Sandra Xavier, de 43 anos, que hoje se encontra em situação de superação de rua, relata que a violência dentro da própria casa foi o que a levou às ruas ainda na infância. “Eu comecei a morar nas ruas com oito anos de idade. Saí dela há pouco tempo. Tomei essa decisão porque a convivência familiar era bem difícil e marcada por violência. Teve uma vez que fui atacada e que até hoje tenho marcas. Nas ruas, também não foi diferente. Muitas vezes precisei fugir para não ser abusada e apanhei tentando me defender. Para nós, mulheres, tudo é mais difícil, principalmente nas ruas, seja para dormir ou tomar um banho”, conta.

A trajetória relatada por Sandra revela um padrão recorrente entre mulheres em situação de rua: a violência atravessa corpos e direitos. Muitas chegam às ruas após experiências de violência doméstica, ruptura de vínculos familiares e ausência de uma rede de proteção capaz de interromper esse ciclo. Fora de casa, a vulnerabilidade não desaparece. Pelo contrário, se intensifica.

É nesse contexto que a Defensoria Pública do Estado do Ceará reúne dois de seus principais Núcleos para atender a mulher em situação de rua neste mês dedicado às mulheres. A iniciativa é realizada por meio do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem) e do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (NDHAC) e busca ampliar o acesso à cidadania para mulheres em situação de rua, reunindo serviços de diferentes instituições.

Nesta terça-feira (10), das 8h às 13h, acontece mais uma edição do Pop Rua Jud, desta vez voltada prioritariamente para mulheres. A ação integra a campanha “Mulher de Direitos” e marca as atividades institucionais em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Na comunicação, a Defensoria lança o especial “Toda Mulher é um território – Histórias de dignidade, memória e direitos de mulheres nas ruas de Fortaleza” que você pode conferir nas redes sociais da instituição. 

Durante a ação no Centro, a carreta da Defensoria, unidade móvel que acomoda defensoras, defensores e equipe técnica, estará estacionada na Praça General Murilo Borges, localizada na Rua Pedro I, nº 373, no Centro de Fortaleza. No local serão oferecidos atendimento jurídico gratuito, orientação de direitos e encaminhamentos, além de uma roda de conversa com a equipe do Nudem sobre os direitos das mulheres em situação de rua.

A defensora pública e supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas, Mariana Lobo, explica que a mulher em situação de rua enfrenta um grau ainda maior de exposição à violência. “A violência contra a mulher, seja ela física, psicológica, sexual, moral, patrimonial ou institucional, é intensificada nas ruas. Isso ocorre porque, por falta de uma rede de proteção qualificada, essas mulheres têm mais chances de sofrer abusos e violações, principalmente em relação ao corpo. Na Defensoria, atuamos no acolhimento, na escuta ativa e no encaminhamento adequado dessas mulheres, para que elas possam, na medida do possível, se sentir seguras novamente”, diz.

Entre as demandas mais frequentes nos atendimentos estão a regularização de documentos, o acesso a políticas de proteção, como acolhimento institucional, questões relacionadas à segurança alimentar e atendimentos na área de defesa criminal.

A ação contará ainda com a presença de outras instituições do sistema de justiça e de órgãos municipais e estaduais, que oferecem serviços gratuitos nas áreas trabalhistas, eleitorais e previdenciárias, além de políticas assistenciais. Também haverá atendimento psicossocial, emissão de certidão de nascimento e outros documentos pessoais, corte de cabelo, serviços de saúde e encaminhamento para vagas de emprego.

Para a defensora pública e assessora de projetos da DPCE, Anna Kelly Nantua, a condição de mulher nas ruas produz uma camada adicional de vulnerabilidade. “A questão da violência de gênero contra mulheres soma-se à pobreza extrema, já que essa mulher, mesmo que momentaneamente, se encontra sem uma moradia e recursos mínimos. Nas ruas, os riscos são muito maiores, demandando atenção institucional e esforços ainda mais direcionados”, explica a titular do Nudem.

 

 

Serviço

Data: 10 de março

Horário: 8h às 13h

Local: Rua Pedro I, n° 373 – Centro, Fortaleza (Praça General Murilo Borges)