Posso ajudar?
Posso ajudar?

Site da Defensoria Pública do Estado do Ceará

conteúdo

Tudo que você precisa saber sobre adoção no Ceará

Tudo que você precisa saber sobre adoção no Ceará

Publicado em

Texto: Clara de Assis, estagiária sob supervisão

Arte: Diogo Braga

 

Garantir o direito de crianças e adolescentes com a convivência familiar é o principal objetivo da adoção no Brasil. Regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o processo é gratuito, sigiloso e acompanhado pela Justiça. No Ceará, a Defensoria Pública do Estado atua oferecendo orientação jurídica e acompanhamento às famílias interessadas em adotar.

Atualmente, o Ceará possui 1.030 crianças e adolescentes vivendo em unidades de acolhimento. Desse total, 191 estão disponíveis para adoção e 78 já estão em processo de adoção, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). 

A defensora pública Noêmia Landim explica que a adoção deve ser compreendida como um direito da criança e do adolescente, e não como um ato de caridade. “A adoção existe para garantir o direito à convivência familiar e comunitária. O foco do processo é sempre o melhor interesse da criança e do adolescente, assegurando que ela seja inserida em um ambiente seguro, afetivo e estável”.

 

Quem pode adotar?

Segundo o ECA, podem adotar pessoas maiores de 18 anos, independentemente do estado civil. Isso inclui pessoas solteiras, casadas e em união estável. Também é necessário que exista uma diferença mínima de 16 anos entre adotante e adotado. 

Outro ponto importante é que não é preciso ter alto poder aquisitivo para adotar. O que a Justiça avalia é a capacidade de garantir cuidado, proteção e condições adequadas para o desenvolvimento da criança.

 

Como funciona o processo de adoção?

O primeiro passo pode ser realizado de forma online ou presencial. Através da plataforma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o pretendente deve realizar o pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).  Caso queira realizar de forma presencial, deve procurar a Vara da Infância e Juventude da cidade onde mora para dar início ao processo de habilitação.

Entre as etapas estão:

  • entrega da documentação;
  • participação obrigatória em curso preparatório;
  • entrevistas e visitas realizadas por equipe psicossocial;
  • análise do Ministério Público e decisão judicial.

Após a habilitação, os pretendentes passam a integrar o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento e aguardam a vinculação com crianças e adolescentes compatíveis com o perfil indicado.

A habilitação tem validade de três anos e pode ser renovada.

 

É possível escolher o perfil da criança?

Durante o cadastro, os pretendentes podem indicar características desejadas, como faixa etária, grupo de irmãos ou condições de saúde. O perfil também pode ser atualizado posteriormente junto à Vara da Infância.

 

A adoção é sigilosa?

O processo corre em segredo de Justiça para proteger a criança, os adotantes e a família biológica.

Depois da sentença judicial, é emitido um novo registro de nascimento, no qual os pais adotivos passam a constar oficialmente como responsáveis legais da criança ou adolescente.

 

Qual o papel da Defensoria Pública?

A Defensoria Pública do Ceará atua gratuitamente em todas as etapas do processo. O órgão oferece orientação jurídica para processos de habilitação, bem como ingresso de adoção cabíveis.

Em Fortaleza, os atendimentos são realizados pelo Núcleo de Atendimento da Infância e da Juventude (NADIJ), localizado na Rua Júlio Lima, nº 770, no bairro Cidade dos Funcionários.

“A Defensoria Pública atua para garantir segurança jurídica e assegurar que todos os direitos das crianças e adolescentes sejam respeitados durante o processo de adoção”, afirma a defensora Noêmia Landim.

 

Mutirão de adoção

Em alusão ao Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, a Defensoria Pública do Ceará organizou um mutirão voltado para orientação de pessoas interessadas em adotar, que ocorrerá dia 25 e 26 de maio

A ação faz parte da quarta edição do projeto “Adoção – Uma Ação Legal”, que busca acelerar encaminhamentos relacionados à adoção e ampliar a conscientização sobre o direito à convivência familiar.

A defensora, no entanto, alerta que a procura por informações e atendimentos sobre o processo de adoção são cotidianas e fazem parte da rotina do Nadij, que fica no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. Se a pessoa residir em outras cidades, basta procurar a Defensoria no seu município.