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Defensoria lança especial “A gente mora dentro da gente” – série de reportagens narrando histórias de quem está em situação de rua

Defensoria lança especial “A gente mora dentro da gente” – série de reportagens narrando histórias de quem está em situação de rua

Publicado em
Texto: Déborah Duarte
FOTOS: ZE ROSA FILHO
Ilustração: Diogo Braga

O que resta de nós quando tudo nos falta? Onde habita nossa dignidade quando nos tiram o chão? A resposta está no que nos constitui: seguimos morando dentro da gente. A frase foi cunhada de uma pessoa em situação de rua, quando perguntada de sua casa e virou o ponto de partida para falar sobre o resgate da cidadania e da dignidade. A série de matérias batizada de “A gente mora dentro da gente” é um lembrete de que ninguém é definido apenas pela condição em que está e nem pela falta de um endereço físico.

Pessoas em situação de rua são, antes de tudo, pessoas — com histórias, sentimentos, afetos, desejos e direitos. Reduzi-las à falta de moradia é ignorar as violências que as empurraram para as calçadas: o desemprego, as desigualdades sociais, a migração, a ruptura familiar, os transtornos mentais não assistidos, a dependência química, o racismo estrutural, a LGBTfobia, a violência doméstica e tantas outras formas de exclusão. A rua pode ser apenas uma consequência.

A identidade gráfica da campanha foi construída a partir das cores, traços e mensagens do artista urbano conhecido como Profeta Gentileza. Figura emblemática do Rio de Janeiro, Gentileza viveu por anos nas ruas e transformou viadutos cinzentos em murais de esperança, com frases como “Gentileza gera gentileza”. Ao adotar essa estética, a Defensoria Pública do Ceará homenageia a resistência e a humanidade que brotam mesmo nos contextos mais hostis. Onde a cidade vê descaso, a Defensoria enxerga direitos. E que a rua não é o fim de uma história — é, muitas vezes, o começo de uma luta por reexistir.

A campanha “A gente mora dentro da gente” da Defensoria do Ceará quer lembrar que toda pessoa em situação de rua tem rosto e carrega consigo uma história, uma dignidade e um direito à cidadania — ainda que tudo o mais lhe seja negado. Hoje, 8 mil pessoas vivem nas ruas de Fortaleza. A Defensoria Pública está ao lado de cada uma delas, trabalhando para garantir direitos.

Em maio, nacionalmente, a Associação Nacional das Defensoras de Defensores Públicos (Anadep) e o Conselho Nacional Defensores e Defensoras Gerais (Condege) promovem uma campanha para reforçar a garantia de direitos humanos. Este ano, o tema da ação é “Um novo presente é possível: Defensoria Pública pela superação da situação de rua”. Olhando este tema, a Secretaria de Comunicação da Defensoria  do Ceará lançou uma série de reportagens narrando histórias de quem está em situação de rua, com destaque para ações da Defensoria na proteção dessas pessoas e um caso de superação que inspira esperança. A luta por um novo presente começa pelo reconhecimento: ninguém é só a rua onde está. A gente mora dentro da gente. 

Matéria 01

A primeira reportagem, a Defensoria apresenta a campanha e conta a história de Antônio, de 61 anos. Ele mora entre as praças e ruas do Centro de Fortaleza e fala com muito orgulho da época de trabalho como caminhoneiro quando criou os cinco filhos viajando por todo o Brasil.

“A gente mora dentro da gente”: Defensoria lança campanha sobre desafios de alcançar direitos para as pessoas em situação de rua

 

 

 

Matéria 02

Na segunda matéria, conhecemos José. O jovem chegou a morar com seu irmão em Recife, mas não se acostumou e quando voltou para Fortaleza, teve que morar nas ruas.

“O pobre não vive, ele sobrevive. Hoje, minha companheira é a solidão”

 

 

 

 

Matéria 03

Já na terceira e última reportagem, conhecemos Vera Lúcia, 57 anos, uma professora de matemática de escola particular que ocupou as ruas por 14 anos. Vera sabe que a transição da rua não é apenas uma mudança de endereço, mas uma jornada. Hoje ela é colaboradora da Defensoria Pública, mas as memórias da rua permanecem vivas e os desafios ainda são cotidianos.

VerA esperança. Conheça a história de superação de quem viveu em situação de rua por 14 anos e hoje trabalha na Defensoria