Defensoria realiza 275 atendimentos no Sítio São João; ação marcou a primeira edição do Ceará com Direitos de 2026
TEXTO: JULIANA BOMFIM
FOTOS: KAMILLA VASCONCELOS
Quando a equipe da Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) chegou à Praça do Sítio São João, em Fortaleza, na manhã do dia 4 de fevereiro, já encontrou a aposentada Fátima Mendes encabeçando a fila da primeira edição do programa Ceará com Direitos de 2026. A iniciativa é uma parceria com o Governo do Estado e tem como objetivo garantir direitos aos beneficiários do Programa Ceará Sem Fome.
Nesta edição, realizada nos dias 4 e 5 de fevereiro, foram contabilizados 275 atendimentos, incluindo serviços prestados na carreta da Defensoria, roda de conversas sobre geração de emprego e renda e o curso de panificação com a comunidade.
Fátima soube da ação no grupo de WhatsApp da cozinha comunitária e decidiu levar a neta Michele para a emissão de uma nova carteirinha de estudante. “Eu sempre acompanho as mensagens do grupo para aproveitar as oportunidades. No início da semana, avisaram que a Defensoria viria aqui para a praça. Na hora, pensei em trazer ela para resolver a situação da carteirinha, que está bloqueada, e já fazer outra. Assim, ela vai poder ir para o colégio de ônibus”, relata.
Avó e neta passaram primeiro pela triagem da equipe da Defensoria e, em poucos minutos, já estavam no guichê da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) para facilitar a rotina escolar de Michele. Sem o documento, a menina de 11 anos enfrentaria dificuldades para frequentar as aulas. “A minha escola é lá no Conjunto Palmeiras e é longe para ir a pé”, explica Michele.
Maria Ozanira Martins de Sousa, também beneficiária do programa Ceará Sem Fome, procurou a carreta da Defensoria em busca de informações sobre um possível saldo remanescente da mãe, falecida há 17 anos. “Eu quero saber se tem alguma coisa, porque meu pai trabalhava de carteira assinada e deixou uma pensão para ela. Eu era procuradora da minha mãe quando ela faleceu e uma pessoa me falou que às vezes fica algum valor retido”, relata a dona de casa.
A defensora pública e assessora de projetos Anna Kelly Nantua reforça o sucesso do programa, que deve ser ampliado em 2026. “Em 2025, foram mais de 1200 atendimentos nos bairros Granja Lisboa, Vila Velha, São João do Tauape, Floresta e Henrique Jorge, em cinco regiões da cidade. Este ano, a nossa intenção é atender ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade, garantindo acesso a direitos e abrangendo todas as regiões de Fortaleza”, afirma.
Ao ver a carreta da Defensoria estacionada ao lado da praça do bairro, Francisco Marques Silveira Andrade entendeu que aquela era a oportunidade de oficializar o divórcio de forma gratuita. Separado desde 2018, ele não tinha condições de arcar com os custos do processo com a renda que recebe trabalhando como gari. “Fui casado por 15 anos e hoje a minha ex-mulher é como uma irmã para mim. O marido dela também é um grande amigo. A gente conversa, se respeita e eu sei que eles têm vontade de casar no papel. Agora, com o divórcio, eles poderão realizar esse sonho”, planeja. “O que vale na vida é o amor”, conclui.
Além da DPCE, também participaram do Ceará com Direitos do Sítio São João, a Defensoria Pública da União (DPU), equipes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) e o caminhão do Cidadão da SPS para emissão de documentos. A edição contou ainda com profissionais da Regional 9 para serviços de imunização, inscrição do Programa Minha Casa Minha Vida e orientações sobre IST’s.











