Mutirão da Defensoria atende 80 mulheres vítimas de violência
TEXTO: CAMYLLA EVELLYN (estagiária sob supervisão)
FOTOS: ZÉROSA FILHO
Aliada à luta pelo fim da violência contra a mulher e com o objetivo de viabilizar o fluxo de demandas do núcleo, a Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE), por meio do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem), realizou um mutirão de atendimentos para mulheres vítimas de violência. A força-tarefa ocorreu nos dias 12 e 13 de fevereiro, no auditório da Casa da Mulher Brasileira, localizada no bairro Couto Fernandes, em Fortaleza.
Durante o mutirão, 80 mulheres foram atendidas por uma equipe de dez defensoras públicas, que garantiram orientação jurídica e de direitos, encaminhamento de processos já ajuizados e acesso a recursos legais previstos na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), como a medida protetiva de urgência, que garante o afastamento imediato do agressor. Além disso, o Núcleo também conta com uma equipe psicossocial, proporcionando acolhimento completo às assistidas.
Foi em busca desse amparo que a técnica administrativa M.G.A., de 36 anos, veio à Defensoria pela segunda vez. “Eu fui orientada na Delegacia da Mulher a procurar ajuda psicológica e à Defensoria. A primeira vez que eu vim, foi em busca de uma medida protetiva porque percebi que estava correndo um grande perigo, principalmente quando o meu ex-marido puxou uma arma branca para mim e para o meu filho mais velho. Eu passei 18 anos com ele e tivemos três filhos. No início, as agressões eram bem sutis, então eu achei que fosse amor, cuidado, mas quando eu fui amadurecendo, notei que eram agressões. Eu era impedida de ter redes sociais, conta bancária e de sair. Hoje estou aqui para pedir a guarda total dos meus filhos e a pensão alimentícia”, relata.
O desejo de uma vida mais segura e digna também é compartilhado pela costureira R.S.M., de 42 anos. “Num primeiro momento, eu vim atrás apenas do divórcio, mas fui informada que também poderia pedir a medida protetiva. Ainda lembro do primeiro tapa na cara, depois do primeiro ano juntos. Ainda lembro de uma cena como se fosse hoje: ele jogando todas as minhas roupas na rua depois de uma discussão. Foi muita humilhação. Eu me juntei com ele quando eu tinha 16 anos, passamos 25 anos juntos e só o primeiro ano não teve agressão”, conta.
A defensora pública e supervisora do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Jeritza Braga, explica o motivo do mutirão. “Estamos realizando esse mutirão porque o número de casos de mulheres que sofrem violência doméstica só aumenta a cada dia, então precisamos acompanhar essa alta demanda. As ações judiciais encontradas hoje aqui são as mais diversas, como divórcio, partilha de bens, medidas protetivas, danos patrimoniais, investigação de paternidade, entre tantas outras, pois a violência pode se manifestar de muitas maneiras. Paralelo a isso, a nossa equipe psicossocial tenta mostrar para essa mulher o motivo do ciclo de violência e como ressignificar tudo isso”.
A força-tarefa contou com a participação das defensoras públicas Marly Anne Ojaime C. Albuquerque Gayoso, Mylena Maria Silva Reginaldo Ferreira Gomes, Glaiseane Lobo Pinto de Carvalho, Karinne Matos Lima, Roberta Madeira Quaranta, Graziella Viana da Silva, Cinira Maria Lopes Silveira, Doris Rachel da Silva Julião, Ana Paula Rocha Asfor e Eunice Clécia Colares Rodrigues.




