
Nova defensora pública toma posse em cerimônia marcada por emoção e compromisso social
TEXTO: DEBORAH DUARTE
FOTOS: ZEROSA FILHO
Na tarde desta sexta-feira (29/08), Pâmela Copetti Ghisleni tomou posse no cargo de defensora pública do Estado do Ceará. Natural do Rio Grande do Sul, Pâmela foi convocada neste mês após aprovação no VIII Concurso para membros da Defensoria Pública do Ceará (DPCE). A cerimônia ocorreu em Fortaleza, conduzida pelo Conselho Superior da instituição.
Em discurso emocionante, a empossada relembrou a infância, homenageou os pais, destacou a amizade da irmã e fez referência saudosa ao pai, já falecido. “Olho pelo retrovisor e entendo o motivo pelo qual foi possível sustentar o desejo de me tornar defensora pública por tanto tempo, renunciando a tantas coisas. Gosto de pensar que, se a Defensoria fosse um ser humano, seria semelhante ao Padre Júlio Lancellotti: alguém que se coloca diante do mundo não para vencer, mas para ser leal à causa até o fim”, afirmou.
Pâmela reforçou a atuação dos membros da instituição. “Nossa perspectiva, enquanto defensores públicos, defensoras públicas, é um fracasso. Nós não lutamos para vencer, nós lutamos para sermos leais a causa até o fim. Nós sabemos que nossas ideias, nossas teses muitas vezes brilhantes, e afirmo isso sem qualquer apelo semântico, serão rejeitados por um sistema por vezes perverso, mas nós sabemos que vez ou outra nossa luta faz é, retombando um sistema de justiça, e aí a gente continua até a retombar de novo”, destacou.
A posse representa não apenas a realização de um sonho pessoal, mas também a ampliação da atuação da Defensoria em defesa da população em situação de vulnerabilidade, reafirmando o compromisso institucional com o acesso democrático à Justiça. Também participaram da solenidade representantes do movimento Mais Defensoria, formado por aprovados(as) no VIII Concurso Público.
Em nome do Conselho Superior, a defensora pública Sheila Florêncio Falconere destacou a trajetória de Pâmela: “Sua jornada é testemunho de resiliência e dedicação, marcada por sólida formação acadêmica, experiência como advogada e professora universitária e, sobretudo, por sua sensibilidade. A superação do luto pela perda do pai para a Covid-19 revela uma força interior imensa, aliada a uma rara capacidade de empatia. Essa vivência a credencia de forma ímpar para a missão que a espera”, afirmou.
A defensora pública geral do Ceará, Sâmia Farias, celebrou a chegada de Pâmela e ressaltou que, ao todo, 13 novos defensores tomaram posse durante sua gestão. “Cada posse é mais do que um ato administrativo: é um ato de fé no futuro, de compromisso com as vidas que esperam pela Defensoria. É a continuidade de uma instituição que não abre mão de estar ao lado de quem mais precisa. Angela Davis nos lembra: “Não aceito mais as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar.” Essa frase nos convoca a não aceitar a injustiça, a não nos conformarmos com o silêncio, mas a transformar dor em luta e ausência em presença. Querida Pâmela, ao receber esta missão, saiba que ela não se encerra em si mesma. Ela se conecta com cada pessoa vulnerabilizada que encontrará em seu caminho. A partir de hoje, sua assinatura se escreve também na história da Defensoria do Ceará, uma história feita de sonhos, mas também de lutas. Seja muito bem-vinda”, declarou.
A nova defensora é oriunda do concurso público realizado em 2023, o primeiro da história da instituição a reservar vagas para pessoas negras, quilombolas e indígenas. O certame ofertou 60 vagas e tem como objetivo interiorizar a presença da Defensoria, ampliando os atendimentos em todas as comarcas do Estado.
Também discursaram na cerimônia a presidenta da Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Ceará (Adpec), Kelviane de Assunção Ferreira Barros, e a defensora pública e ouvidora geral externa da instituição, Joyce Ramos.