Dois novos defensores tomam posse e quatro membros chegam ao Segundo Grau na DPCE
TEXTO: JULIANA BOMFIM
FOTOS: MILLIN ALBUQUERQUE
De um lado, a expectativa de quem inicia uma trajetória. Do outro, a experiência de quem, após mais de duas décadas de atuação, celebra a chegada ao último nível da carreira. A Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) reuniu essas duas gerações, na tarde desta segunda-feira (17), durante a solenidade de posse dos novos defensores: Mariana Ribeiro Lorenzi e Vitor Cangussu de Souza Moraes. A tarde também marcou a promoção dos defensores Roberto Ney Fonseca de Almeida, Leandro Sousa Bessa e José Carlos Teodoro da Silva ao Segundo Grau de Jurisdição.
A solenidade, realizada no auditório da instituição, em Fortaleza, foi conduzida pela defensora pública geral e presidente do Conselho Superior (Consup), Sâmia Farias. Também participaram o subdefensor geral, Leandro Bessa; a corregedora-geral, Patrícia de Sá Leitão Leão; a ouvidora-geral externa, Joyce Ramos; o diretor parlamentar da Adpec, Lino Marques dos Santos Carvalho; e os conselheiros eleitos Emmanuel Leal, Muniz Freire, Ramylle Holanda e Sheila Falconeri.
Natural da Bahia, Vitor Cangussu de Souza iniciou sua relação com a Defensoria ainda na graduação, quando cogitava abandonar o curso de Direito para estudar História e foi aprovado para estagiar na instituição. Foi ali, após participar do atendimento a Rafaela, vítima de transfobia, que decidiu seguir a carreira. “O que vivenciei naquele atendimento me fez compreender que eu poderia, sim, fazer a diferença na vida das pessoas. Decidi que me tornaria defensor público”, recorda.
Ao relembrar a história durante a posse durante seu discurso, Vitor reforçou a motivação para a escolha. “Eu quis trazer essa memória para que nunca nos esqueçamos das razões pelas quais escolhemos a Defensoria Pública como carreira. Eu digo a minha: estar ao lado dos invisíveis, daqueles que não têm voz, nem vez, em um país tão desigual”, complementa
A rotina da Defensoria também não será novidade para Mariana Ribeiro Lorenzi. Natural de São Paulo, ela atuava como defensora pública no estado de Roraima. “Estou muito feliz, é uma conquista que vem sendo construída ao longo de muito tempo e um momento que eu aguardava bastante. É uma alegria que nem cabe em mim. Hoje é, sem dúvida, uma data muito especial”, afirmou.
Com a posse de Mariana e Vitor, compõe a lista de 57 defensoras e defensores nomeados pelo 8º Concurso da DPCE, que possui 376 membros em atividade no Estado. Aos novos integrantes, a ouvidora-geral externa, Joyce Ramos, lembrou que “escutar também é defender”, reforçando que o acolhimento e a compreensão da realidade de cada pessoa devem caminhar ao lado da atuação.
Para a defensora pública geral Sâmia Farias, a chegada dos novos membros amplia a capacidade de atendimento, enquanto as promoções fortalecem a atuação da instituição nos tribunais, onde são decididas questões capazes de repercutir na vida de muitas pessoas. Em seu discurso, ressaltou o papel da Defensoria na vida de quem procura atendimento. “Para quem chega, não é apenas um processo. É comida no prato, é a casa onde a família mora, é a liberdade de alguém, é uma mãe tentando conseguir o tratamento de um filho. É por essa pessoa que essa instituição existe. Quando uma pessoa em situação de vulnerabilidade chega à Defensoria, ela tem que encontrar alguém disposto a ouvir. É isso que dá sentido à nomeação de hoje, é isso que dá sentido à promoção”, afirma.
Ela lembrou aos nomeados e promovidos que eles “encontrarão realidades que nenhum livro de direito é capaz de ensinar. Portanto, não percam a capacidade de escutar. Aqui, a formação técnica é indispensável, mas ser defensor e defensora pública exige também compreender o que aquele direito representa na vida de quem está diante de você. A Defensoria não existe para si mesma”.
Enquanto Mariana e Vitor iniciam suas histórias na DPCE, Roberto Ney, Leandro Bessa, José Carlos Teodoro e Regina Mara chegam ao último nível da carreira levando mais de duas décadas de experiência.
Defensor público há 23 anos, Roberto Ney recorreu ao mito de Sísifo para comparar o trabalho defensorial ao esforço de levar repetidamente uma pedra ao topo da montanha. Para ele, a essência está em continuar mesmo diante das dificuldades. “O sentido é o caminho. O sentido é não desistir. Essa capacidade de se indignar é o que a gente não pode perder”, resumiu como pedido aos novos colegas. “Não percam a capacidade de se indignar”.
Com 24 anos de Defensoria, José Carlos Teodoro definiu a promoção como um momento de gratidão. “A gente olha para trás e recorda as experiências, o aprendizado e o amadurecimento. Plantamos boas sementes e agora estamos colhendo os frutos e enfrentando um novo desafio”, destaca.
Para Leandro Bessa, a chegada ao Segundo Grau tem o significado de poder atuar ao lado de profissionais que foram referências em sua trajetória. “É um espaço onde estão muitas das nossas referências, pessoas experientes e competentes, que já contribuíram muito para a construção da Defensoria. Poder, agora, estar ao lado delas é uma felicidade muito grande”, celebra.





























