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Campanha da Defensoria sobre economia do cuidado é indicada ao Prêmio Profissionais do Ano da Globo

Campanha da Defensoria sobre economia do cuidado é indicada ao Prêmio Profissionais do Ano da Globo

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“Elas sentem o peso” transforma a sobrecarga feminina com o trabalho de cuidado em linguagem publicitária e ganha reconhecimento em uma das mais tradicionais premiações da publicidade brasileira

Uma mulher sustenta sobre os ombros uma estrutura que parece maior do que ela. O corpo lembra uma escultura clássica, forte e imóvel, mas as rachaduras revelam que há um limite para o peso. Foi essa imagem que a campanha “Elas sentem o peso”, da Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE), escolheu para tornar visível um trabalho realizado diariamente por milhões de mulheres e que, durante muito tempo, permaneceu fora das discussões sobre economia.

Desenvolvida pela Morya Comunicação, a campanha sobre economia do cuidado acaba de ser indicada ao Prêmio Profissionais do Ano 2026, promovido pela Globo e considerado uma das mais tradicionais premiações da publicidade brasileira. Criado em 1978, o prêmio reconhece profissionais, campanhas e ideias produzidas pelo mercado publicitário de diferentes regiões do país.

A indicação leva para uma premiação nacional uma campanha que nasceu de uma questão observada diariamente pela Defensoria. Mulheres são presença constante nos atendimentos da instituição e muitas das demandas jurídicas revelam também uma distribuição desigual das responsabilidades dentro das famílias.

“Quando transformamos as situações vividas pelas mulheres que atendemos em temas de debate público, ajudamos a dar visibilidade a desigualdades e a fortalecer a garantia de direitos”, afirma Sâmia Farias, defensora pública geral do Ceará.

Para a equipe da Secretaria de Comunicação da Defensoria, a indicação ao Profissionais do Ano também chama atenção para o papel da comunicação pública na produção de direitos.

“Uma campanha pública precisa fazer mais do que ocupar espaço ou divulgar uma instituição. Quando conseguimos transformar uma realidade que chega diariamente aos nossos atendimentos em uma mensagem que as pessoas reconhecem na vida, a comunicação cumpre uma função pública. A indicação é importante porque coloca a economia do cuidado também dentro de um espaço de reconhecimento da criatividade brasileira”, afirma Bianca Felippsen, secretária de Comunicação da DPCE.

Quem cuida – São mães que assumem praticamente sozinhas a criação dos filhos, mulheres que interrompem trajetórias profissionais para cuidar de familiares e outras que chegam ao fim de relacionamentos sem autonomia financeira depois de anos dedicados ao trabalho doméstico não remunerado.

Foi dessa realidade que surgiu “Elas sentem o peso”, campanha que parte de uma ideia central: antes de a sociedade funcionar, alguém cuidou.

A campanha foi lançada em março e integrou uma estratégia mais ampla da Defensoria sobre economia do cuidado. Além das peças publicitárias, o tema ganhou reportagens, conteúdos para redes sociais, mídia exterior, debates e ações de formação. Além disso, a campanha ganhou a atuação de defensores sobre a temática dentro dos processos judiciais.

A proposta não era apenas explicar o conceito, mas aproximá-lo da vida cotidiana e mostrar como a distribuição desigual do cuidado produz consequências econômicas, profissionais, sociais e jurídicas.

As mulheres dedicam, em média, cerca de dez horas semanais a mais do que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. A diferença ajuda a compreender por que falar sobre cuidado significa também discutir renda, autonomia, oportunidades profissionais e acesso a direitos.

A campanha também ultrapassou a publicidade. Ao longo dos meses seguintes, a Defensoria aprofundou o assunto por meio de histórias reais e discussões sobre maternidade solo, trabalho, saúde mental, abandono afetivo, cuidado de pessoas idosas e divisão das responsabilidades familiares.

Uma campanha construída em rede

A produção reuniu diferentes profissionais e parceiros. O conceito foi desenvolvido pela Secretaria de Comunicação da Defensoria em parceria com a Morya Comunicação. O filme teve produção da Duozz Filmes, o spot foi produzido pela Balancê e a comunicação visual contou com execução da Somma Comunicação Visual. Veículos e parceiros também aderiram à iniciativa de forma pro bono, ampliando a circulação da discussão.

A partir desta terça (29), a campanha ganhou reforço com a publicação pela Defensoria Pública de outros estados, transformando em uma mensagem nacional sobre a divisão desigual do trabalho de cuidado.