Defensoria celebra um ano de projeto voltado à responsabilização e ressocialização de internos
TEXTO E FOTO: LEONARDO OLIVEIRA – ESTAGIÁRIO SOB SUPERVISÃO
Em celebração ao primeiro ano do projeto REPAR (Reeducar com Autorresponsabilidade e Respeito), a Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) realizou nesta quarta-feira, 26, um encontro na Unidade Prisional Governador Stênio Gomes. A iniciativa é desenvolvida pelo Núcleo de Assistência ao Preso Provisório e às Vítimas de Violência (Nuapp), junto com DPCE e promove grupos reflexivos com homens que respondem por crimes no contexto da Lei Maria da Penha.
Participaram do momento o subdefensor público-geral, Leandro Bessa, o defensor público, titular do Nuapp e idealizador do projeto, Jorge Bheron e o defensor público e supervisor do Nuapp, Delano Benevides.
Também estiveram presentes os psicólogos Andreya Arruda, supervisora do serviço psicossocial da DPU, Isabelle Nogueira e Jairo Dias, que integram o projeto e atuam no atendimento aos internos.
Realizada todas às quartas-feiras na unidade prisional, a roda de conversa reúne grupos de dez homens e trabalha temas relacionados à violência doméstica, responsabilização e reflexão. Ao longo do primeiro ano, 80 homens participaram dos grupos reflexivos, 44 pedidos de liberdade foram concedidos e acompanhados e nove turmas foram conduzidas com uso da justiça restaurativa. Entre os participantes acompanhados pelo projeto, houve apenas um caso de reincidência ou nova infração relacionada à Lei Maria da Penha.
A programação começou com uma reunião entre os representantes da Defensoria e o diretor da Unidade Prisional Governador Stênio Gomes, Afonso Barreto. Durante o encontro, foram apresentados os resultados alcançados no primeiro ano do projeto e discutidos os impactos das atividades desenvolvidas junto aos internos.
Em seguida, a equipe conheceu a estrutura da unidade prisional e o espaço onde está sendo instalada a Biblioteca de Direitos, atualmente em fase final de construção. O local contará com uma área específica destinada a obras sobre violência contra a mulher, com o objetivo de ampliar o acesso à leitura e fortalecer as ações de conscientização desenvolvidas com os internos.
Por fim, a manhã foi encerrada com uma apresentação musical do coral da unidade prisional e falas sobre a importância das ações desenvolvidas no espaço, com destaque para a responsabilização e reflexão sobre a violência e a construção de novas perspectivas para o retorno ao convívio social.
Para o defensor público, titular do Nuapp e idealizador do projeto, Jorge Bheron, o primeiro ano do REPAR representa não apenas a consolidação da iniciativa, mas também um período de reflexão sobre as relações construídas pelos homens que passaram pelos grupos.
“Esse primeiro ano marca um período de reflexões e autoconhecimento na vida desses homens. Pelos relatos, percebemos a importância do projeto para que possam repensar suas relações e se tornarem multiplicadores de uma cultura de paz, construindo relações mais saudáveis e servindo de exemplo para seus filhos, netos, sobrinhos e outras gerações”, destaca.
O subdefensor público-geral, Leandro Bessa, destacou os resultados alcançados no primeiro ano do REPAR e a ampliação do projeto, que passa a contar com o reforço de mais um profissional, possibilitando a expansão das atividades desenvolvidas na unidade prisional.
“É um projeto que busca romper o ciclo de violência a partir do acompanhamento psicossocial e da justiça restaurativa. Neste primeiro ano, tivemos resultados importantes e agora avançamos com a ampliação da equipe, com a chegada de mais um psicólogo, o que permitirá aumentar o número de pessoas atendidas e de encontros realizados. Outro avanço é a Biblioteca de Direitos, que está em fase final de construção e terá um espaço específico de literatura sobre violência contra a mulher, reforçando o trabalho de conscientização”, afirma.



















