Defensoria Pública, Coletivo Aparece e CICV promovem roda de conversa para familiares de pessoas desaparecidas em Fortaleza
TEXTO: DÉBORAH DUARTE
FOTOS: TJCE
A Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE), em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e Coletivo Aparece, realizaram nesta terça-feira (25), uma roda de conversa com familiares de pessoas desaparecidas. A atividade aconteceu no Espaço do Sesc, no Parque das Crianças, no Centro de Fortaleza. A ação integra a agenda de mobilização pelo Dia Nacional de Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas, celebrado em 30 de agosto, e reforça a necessidade de ampliar o diálogo, a articulação institucional e as políticas públicas voltadas às famílias de pessoas desaparecidas.
O encontro foi um espaço de escuta, acolhimento e troca de experiências entre familiares, instituições e organizações que atuam na pauta. A programação incluiu a apresentação da APARECE, rede de apoio psicossocial formada por diferentes órgãos e instituições, criada para oferecer suporte às famílias e contribuir para o enfrentamento dos impactos provocados pelo desaparecimento de pessoas.
Vera Lúcia Ranu, integrante do Mães em Luta Associação Nacional de Prevenção e Busca às pessoas Desaparecidas, destaca a importância de momentos de articulação entre instituições para lidar com essa questão tão séria e que afeta milhares de famílias no país.
“A experiência dos coletivos e grupos de familiares mostra que ninguém precisa enfrentar essa realidade sozinho. Quando as famílias se unem, percebem que muitas dificuldades são comuns e que, juntas, têm mais força para buscar respostas e reivindicar mudanças”, afirma Ranu.

Vera Lúcia compartilhou experiências de familiares que, há anos, se mobilizam em busca de respostas e pela garantia de direitos. Além dela, também integraram a programação integrantes do Coletivo Mães de Fé com Esperança, formado por familiares de pessoas desaparecidas cearenses. A presença de familiares de diferentes estados pretende ampliar o diálogo e fortalecer a articulação entre aqueles que vivenciam essa realidade.
“Não queremos apenas ser ouvidos quando alguém desaparece. Queremos contribuir para que existam políticas de prevenção, busca, investigação e, principalmente, acolhimento às famílias”, destacou Vera Lúcia Ranu.
Para a defensora pública Mariana Lobo, supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria Pública, a iniciativa reforça a importância de colocar as famílias no centro das políticas de enfrentamento ao desaparecimento.
“Temos incentivado o fortalecimento de grupos de mães de familiares, entidades da sociedade civil que possam estar se reunindo e, principalmente, cobrando do poder público e das instituições de sistema de justiça, políticas públicas que visem atuar de maneira firme no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas no estado do Ceará. A gente sabe que essa luta é uma luta de várias pessoas, de vários órgãos, que buscam fazer com que essas pessoas possam se sentir acolhidas e que a gente possa cada vez mais dar a essas famílias o que elas precisam na perspectiva da garantia dos seus direitos e de saber o que aconteceu com seu familiar”, concluiu.
