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Após assassinato do irmão, um novo emprego foi a forma de seguir adiante

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O auxílio aos parentes de vítimas de violência chega com intuito de transformar pequenas realidades. A aposta é do programa Rede Acolhe, integrado ao Núcleo de Assistência ao Preso Provisório e às Vítimas de Violência (Nuapp). Foi através dele que Lidiane conseguiu um emprego. A situação pode parecer comum, no entanto, a mulher de 31 anos passou por um evento dramático em 2018: o assassinato de seu irmão de 24 anos. O evento que mudou sua vida, deixou ela em choque traumático. Lidiane não conseguia sair de casa e teve severas crises de pânico e depressão.

O emprego só se tornou possível, após ela ter sido encaminhada ao programa Rede Acolhe da Defensoria Pública. Após 18 meses de atividade e 170 famílias atendidas, a ação da Defensoria tem como objetivo assegurar a assistência jurídica, propiciando maior esclarecimento quanto aos direitos, bem como acompanhamentos dos processos e inquéritos e processos dos Crimes Violentos Letais Intencionais, além de garantir a assistência psicossocial das famílias das vítimas de CVLI e das vítimas de tentativa de homicídio, contribuindo para a diminuição dos danos sociais e psicológicos causados pela violência.

Lidiane se permitiu ser ajudada e encontrou as ferramentas certas no caminho. Participou, após atendimento psicossocial, de um treinamento empresarial para uma construtora e foi selecionada para trabalhar em um hotel na avenida Beira-Mar, em Fortaleza. “Às vezes você acha que a vida acaba, mas quando você acorda, você percebe que ela é linda. Eu só precisava de uma chance, de uma ajuda, e agora que eu consegui eu me sinto muito feliz. Acredito nos meus sonhos”, diz.

“É nosso papel também ajudar a reestruturar aquela família, incentivando eles, seja de forma psicológica ou profissional. O objetivo é de oportunizar essas famílias, dentro das redes de serviços públicos e privados, que estão disponíveis à todos, de forma que elas possam se reestruturar”, explica a defensora pública Gina Moura.

O curso que ela participou busca captar, formar e direcionar os jovens para o mercado de trabalho, ajudando-os a conquistar o primeiro emprego. Com o trabalho, Lidiane poderá ajudar financeiramente em casa e sua mãe, Maria, também muito traumatizada, mas com esperança de dias melhores. “Depois do que aconteceu, ela ficou agressiva, era difícil falar com ela. Hoje, ela descobriu novamente o potencial dela e as coisas vão melhorar. Precisamos nos alegrar”, se emociona.

Rede Acolhe – O programa está integrado ao Núcleo de Assistência ao Preso Provisório e às Vítimas de Violência (Nuapp). Desde seu início, cerca de 500 pessoas já foram beneficiadas com o acompanhamento, que é realizado por uma equipe multidisciplinar que tem sociólogo, psicólogos, assistente social e defensores públicos. O programa tem parceria com a Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

*Os nomes Lidiane e Maria são fictícios para preservar a identidade das assistidas*.