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Grupo de mães atípicas procura Defensoria Pública após descredenciamento de clínica local pelo plano de saúde

Grupo de mães atípicas procura Defensoria Pública após descredenciamento de clínica local pelo plano de saúde

Publicado em
TEXtO: Rose serafim
Foto: DPCE

Nesta terça-feira (20), a Defensoria Pública do Estado do Ceará realizou uma reunião com o coletivo de mães e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista clientes da Unimed Ceará, em Iguatu. O encontro aconteceu na sede da instituição e foi organizado pela defensora pública Átala Vieira. O grupo relatou os impactos decorrentes do descredenciamento da Clínica Cauby Leal que prestava atendimentos terapêuticos para pessoas atípicas na região.

“Durante o atendimento, as mães relataram preocupação com a troca abrupta de profissionais e com a quebra do vínculo terapêutico já estabelecido entre as crianças e a equipe que as acompanhava. Segundo os relatos, muitas crianças realizavam acompanhamento há anos com os mesmos profissionais, sendo a rotina, a previsibilidade e o vínculo elementos fundamentais para o desenvolvimento, especialmente em crianças com TEA”, destaca a defensora Átala Vieira, que recebeu o grupo.

A defensora explica que, antes do encontro, a DPCE expediu ofício à Unimed Ceará requisitando informações urgentes sobre os motivos do descredenciamento da Clínica Cauby Leal, o número aproximado de crianças atingidas, a rede substitutiva disponibilizada, a quantidade de profissionais disponíveis, a existência de filas de espera, e a previsão de atendimento e medidas adotadas para garantir continuidade terapêutica. O documento tem prazo de até 72h para ser respondido. 

“As famílias afirmaram que não receberam esclarecimentos suficientes sobre o motivo do descredenciamento”, adianta. Segundo a defensora, o coletivo relata que a capacidade da  rede substitutiva pode estar aquém do necessário para a demanda, e que ainda há dificuldade de acesso pela pouca disponibilidade de transportes. “As mães mencionaram a existência de cerca de 90 famílias aguardando atendimento, além de crianças de outros municípios da região que também utilizam a rede de Iguatu”, conta Átala Vieira.Nesse caso, a Defensoria atuará em duas frentes: uma coletiva e outra individual. Primeiro, a coletiva, vai averiguar os motivos do descredenciamento da clínica, a situação das estruturas substitutas, existência de filas e a capacidade real de atendimento para a continuidade dos serviços.

Na frente individual, voltada a casos mais urgentes, a Defensoria vai atender pessoas que tiveram interrupção total de terapias, que sofreram regressão comportamental, de pacientes com maior nível de suporte e em casos de ausência de vagas no atendimento e risco de prejuízos ao desenvolvimento do atendido.

“A mudança na rede de atendimento de um plano de saúde não é, por si só, automaticamente ilegal. O problema surge quando essa mudança deixa de garantir, na prática, a continuidade do tratamento”, adianta Átala Vieira. A preocupação da Defensoria, é saber se existem vagas reais, profissionais suficientes e condições adequadas para a manutenção dos atendimentos.

“Não estamos falando apenas de trocar um endereço de atendimento. Muitas dessas crianças criam vínculo com a equipe terapêutica, dependem de rotina, previsibilidade e continuidade. Uma mudança abrupta, sem planejamento, pode gerar regressão, crises e prejuízos ao desenvolvimento”, reitera.

“A operadora pode reorganizar sua rede, mas precisa garantir que a substituição seja efetiva e equivalente. Não basta indicar uma nova clínica se as famílias chegam lá e encontram lista de espera, falta de salas, falta de profissional ou redução do tratamento indicado”, complementa a defensora.

Na ocasião, as mães e responsáveis receberam fichas de triagem onde indicarão os diagnósticos das pessoas atípicas, terapias prescritas, terapias interrompidas ou reduzidas, regressão percebida, informações e documentos que auxiliem a DPCE nos casos.