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Mães do Curió recebem laudos e pedem Justiça

22 de junho de 2016

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Os defensores públicos Delano Benevides e Natali Pontes reuniram mães, familiares e amigos das vítimas do evento conhecido como Chacina do Curió, ocorrido em 12 de novembro de 2015 e que vitimou 11 pessoas nos bairros do Curió, São Miguel, Lagoa Redonda e Messejana. Na reunião da última terça-feira, dia 21, a Defensoria entregou às mães as cópias dos laudos cadavéricos, encaminhados pela Perícia Forense, após atuação da Defensoria. Os laudos foram solicitados pelas mães, em reunião anterior, já que até então os parentes não tinham tido acesso aos documentos. Foi um momento de muita comoção para os familiares e a Defensoria estava presente com a equipe de atendimento psicossocial para o apoio necessário, além da presença da Ouvidora Externa da instituição, Merilane Coelho.

“Eu eduquei meu filho para o caminho do bem, disse sempre a ele, não faça nada errado senão a Polícia vai te prender. Nunca, nunca na minha vida, pensei que deveria ter dito: cuidado, meu filho, porque a Polícia pode te matar”, disse emocionada uma das mães.

Na última quarta-feira, dia 15, o Ministério Público Estadual protocolou pedido de prisão na 1a Vara do Júri dos acusados da chacina, todos estes dos quadros da segurança pública estadual. O defensor público Delano Benevides está se habilitando no inquérito, com intuito de que as famílias sejam integradas à ação. “Eu tenho experiência nesta área criminal e já vi muita barbaridade. Mas nunca presenciei ato tão covarde como este que aconteceu na Grande Merssejana. Temos acompanhado e a cada reunião me sinto mais motivado em ajudar estas mães a encontrar o caminho da justiça. Posso garantir a vocês que vamos nos habilitar neste processo, juntando a documentação que vocês me entregaram hoje, e não vamos deixar passar nenhuma vírgula. Estamos com vocês e queremos que tenha a Defensoria Pública como uma segunda casa”, disse o defensor Delano Benevides.

“A dor nos apresentou. Alguns de nossos filhos se conheciam e a gente não. Sentimos que as nossas histórias se encontraram por um propósito. Só pode ser. Tem haver justiça e a resposta que queremos é a prisão dos acusados desta selvageria e a demissão deles da Polícia”, assegurou uma das mães.

Na reunião, estiveram presentes educadores sociais do Cuca Jangurussu, integrantes do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) e amigos das vítimas. Um grupo de apoio foi formado e se reunirá no próximo dia 15 de julho.

Mensalmente a Defensoria tem reunido às mães da Chacina do Curió. O primeiro encontro aconteceu dia 03 de março de 2016, realizado pela defensora pública Gina Kerly, supervisora do Núcleo de Assistência ao Preso Provisório e Vítimas de Violência, onde psicólogos e assistentes sociais da Defensoria fizeram o atendimento individualizado dos familiares no Liceu de Messejana. Dali, selou-se uma parceria e a Defensoria tem acompanhado o caso e o desdobramento das ações.